Negócios: saiba como criar o seu – da ideia à concretização!

Negócios: saiba como criar o seu – da ideia à concretização!

Negócios é uma palavra que está muito associada à capacidade empreendedora de cada um de nós. Contudo, criar um negócio não é fácil, exige empenho e dedicação, conhecimento e, inevitavelmente gera dúvidas, questões e inquietações. Para servir de reflexão, deixo aqui algumas notas sobre as preocupações que normalmente me são colocadas por jovens e empreendedores:

  • Como surgem as ideias e como se testam?
  • Tenho uma ideia de negócio, e agora?
  • Será que existem técnicas de encubação de ideias?
  • Que passos devo respeitar e como organizo o meu plano de negócios?
  • Como consigo saber que capital preciso?
  • Que alternativas tenho para me apoiar no financiamento do meu negócio?
  • Quais os procedimentos administrativos a que devo obedecer?
  • Que tipo de empresa devo constituir?

Como ponto de partida, começo por esclarecer as diferenças entre um negócio e uma empresa.

 

# Qual a diferença entre negócio e empresa

Um café ou um restaurante gerido pelo próprio, um consultório médico, um cabeleireiro gerido pelo próprio, um escritório de um advogado, uma pequena mercearia familiar, são empresas ou negócios?

Ainda que todas possam ter personalidade jurídica e por isso serem consideradas como empresas, como devemos classificá-las quando à lógica empresarial?

Estas estruturas dependem basicamente do seu fundador para funcionarem e se desenvolverem. Isto quer dizer que o seu valor é diminuto no caso de uma transação.

Um médico que pretenda alienar o seu negócio/consultório, dificilmente terá interessados se não assinar uma cláusula em que se obriga a continuar a trabalhar no local durante um espaço de tempo. E é compreensível, pois sem a sua presença o consultório é um mero espaço. Naturalmente, o espaço tem o seu valor associado à localização e a outros fatores mas será sempre diminuído do facto do negócio estar assente na pessoa.

Por outro lado, temos a empresa. A empresa é uma estrutura que funciona por si. Não depende de ninguém em especial, nem assenta no seu fundador.

Posto isto, os objetivos dos empreendedores à partida devem ser devidamente definidos. Pretendemos montar um negócio ou uma empresa?

 

# Importante: definir se quer criar uma empresa ou um negócio

Se a ideia for criar uma pequena estrutura para exercer a sua atividade profissional, então estamos perante um negócio. Assim, as bases de organização terão de estar assentes em mais-valias pessoais como a experiência profissional no setor, as características individuais, as competências técnicas, académicas e profissionais, etc.

Percebemos facilmente que montar um consultório médico só fará sentido para alguém que possua formação em medicina.

Por outro lado, existe o projeto para constituição duma empresa.

Nesse caso, o empreendedor quando inicia o projeto deve definir a sua intenção a médio prazo. O objetivo poderá ser montar um negócio e desenvolvê-lo para que rapidamente possa deixar de depender de si e ser transacionado pelo seu valor intrínseco.

Para além da vantagem da empresa poder ser transacionada e o empreendedor poder incorporar a mais-valia na transação, tem ainda o proveito de, em simultâneo, a mesma pessoa poder ter várias empresas e em setores diferentes se pretender.

Parece simples de perceber mas uma grande parte dos pequenos empresários ainda tem grande dificuldade em trabalhar nesse sentido, pois centra todas as decisões em si próprio ficando dessa forma sem tempo para novos projetos.

 

# Essencial: traduzir a ideia em números para analisar

Muitos jovens, e não só, questionam-me sobre ideias de negócio. Querem partilhar comigo as suas ideias para que eu dê a minha opinião e alguma orientação.

Independentemente da ideia, a minha questão chave é sempre:

 

E o plano de negócios? Tem a ideia traduzida em números, para podermos analisar e discutir?

 

Perante esta pergunta, uma parte significativa dessas pessoas desiste da ideia ou, pelo menos, não volta a falar comigo. Em termos percentuais, creio que serão mais de 90%. Parece esquisito mas não é. Na verdade, eu creio que são apenas ideias, a que eu chamo de “devaneios” ou “flashes”, que surgiram na cabeça dessas pessoas. Sem grande sustentabilidade.

Os que têm mesmo uma ideia e acreditam nela, não desistem! Vão para casa fazer o trabalho básico de transformar a ideia em algo palpável para ser possível analisar e discutir. São os 10% que persistem. Destes 10%, metade percebe sozinho que não passou de uma ideia, pois facilmente chegam à conclusão que o projeto não será viável ou concretizável, ao colocar no papel os pressupostos, as bases, os investimentos necessários, etc.

A viabilidade dum negócio é a chave mestra para a decisão de avançar ou não. Independentemente de todos os projetos terem o seu risco, há que limitar esses riscos ao máximo.

A minha experiência diz-me que 1 em cada 100 projetos passa à fase “séria”. A fase “séria” é a aquela em que começamos a trabalhar tecnicamente no projeto. A fase em que, para além das previsões de proveitos e custos, já se começa a pensar nas fontes de financiamento e nos possíveis financiadores, nos vários cenários possíveis, desde o pessimista ao otimista.

Assim, se neste momento tem uma ideia de negócio, a minha sugestão é passar para o papel os números base do projeto. Chamo a isso, os pressupostos do projeto.

 

# Os pressupostos do projeto no papel

Perguntas que deve fazer:

  • Que investimento preciso de fazer?
  • Que custos fixos terei de suportar, mensal e anualmente?
  • Que custos variáveis terei?
  • Que vendas/prestações de serviço conseguirei fazer nos primeiros 6 meses e nos seguintes?
  • Que margem terei?

Para além dos números, a sugestão será elaborar uma matriz SWOT simples onde, de uma forma resumida, poderá descrever as forças e fraquezas e, por outro lado, as ameaças e as oportunidades.

Mais à frente, poderá trabalhar uma matriz PEST, que o ajudará a descriminar as condicionantes – políticas, económicas, sociais-culturais e tecnológicas – que não poderá descurar no projeto. Por vezes, bons projetos falham porque não foram detetadas previamente algumas condicionantes ou barreiras à entrada nos mercados. Assim, todo o cuidado é pouco!

 

# Fundamental: um plano de negócios

 

Após esta recolha, chegamos ao ponto zero. Sim, ponto zero. O empreendedor já provou que está empenhado e motivado para o projeto, pois o trabalho e o tempo que disponibilizou para chegar ao ponto zero, certamente foi intenso. Entramos agora na fase em que é preciso “cozinhar” os números.

“Cozinhar” os números é colocar em evidência os proveitos esperados e os custos necessários para obter esses proveitos para conseguir chegar ao resultado esperado: o “lucro”.

O “lucro” é uma palavra pouco usada no contexto profissional. Contudo, para os menos conhecedores de terminologias como EBITDA, resultado antes de impostos, resultado liquido, Cash-Flow, TIR, Pay-Back, entre outras, é a forma mais simples de perceber que os projetos só serão viáveis se, a curto ou médio prazo, existir lucro.

Aqui entram os profissionais da gestão e da organização deste tipo de projetos que, depois de recolherem os números, começam a organizar o plano de negócios. Normalmente este é tipificado para agradar aos financiadores e outras entidades que poderão apoiar o projeto em termos financeiros e de know-how.

Se quiser pode utilizar alguns modelos previamente construídos por entidades oficiais e que ajudam a construir o plano de negócios, passo a passo. Basta introduzir os valores nas células para se obter um resultado final, viável ou não viável.

Aos mais novos, eu sugiro que criem o seu próprio plano através da construção duma folha de cálculo. Uma folha de cálculo simples que permita fazer simulações de cenários duma forma prática e interativa. Longe vão os tempos que tínhamos de utilizar uma caneta ou lápis e uma calculadora para passar para o papel os números do projeto.

Nada como perceber as bases do modelo para se poder interagir e simular dezenas e dezenas de cenários.

 

Este é o primeiro trabalho que faço com os mais jovens quando ministro formação em sala de aula sobre o plano de negócios.

 

Pode parecer estranho, com tantos modelos disponíveis, criar um modelo próprio. A questão é que os modelos disponíveis são standards e por isso estão preparados para projetos de grande dimensão. Quando são utilizados para um projeto de pequena dimensão é como alguém que veste XS utilizar uma camisola XXL.

A outra vantagem é que, ao construir o seu próprio modelo, o jovem/empreendedor aprende para o futuro, ou seja, pode depois ajustar o modelo e replicá-lo noutros projetos que venha a desenvolver. Sou defensor de que quanto mais simples forem as coisas no início mais possibilidades teremos de desenvolver novos talentos e jovens com ideias. Assim, regra geral, tento transmitir ideias simples e claras. Muitas pessoas, que podem até ter boas ideias, facilmente desmotivam e desistem, pois não se imaginam capazes de elaborar o seu plano de negócios e passar por tantas etapas complexas como imaginam que seja necessário.

A verdade é que todos conhecemos inúmeros empresários de sucesso que iniciaram o seu projeto a “olho nu”, ou seja, sem plano de negócios. Excelente. Contudo, também todos conhecemos imensas pessoas que, por falta de cuidados, tiveram imensos problemas e puseram o seu futuro em risco exatamente por não se terem preocupado com o plano de negócios.

São estas situações que me incomodam e preocupam, para as quais tento alertar todas as pessoas que decidem empreender o seu próprio projeto.

Se é uma delas, se tem uma ideia genial, se tem um projeto fantástico, desejo-lhe muito sucesso mas não se esqueça do plano de negócios!

 

Diamantino Ribeiro
Academy Manager, Consultor e Trainer IHTP
Economista, Gestor, Consultor, Business Coach e Professor Universitário

 


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One response to “Negócios: saiba como criar o seu – da ideia à concretização!”

  1. Muito obrigado Diamantino por toda a partilha das linha orientadoras de como criar uma empresa!
    Foram e serão muito úteis para desenvolver os meus projetos!

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