COMPETÊNCIAS PARA VENCER 2021

COMPETÊNCIAS PARA VENCER 2021

Em Portugal, no ano 2020, as pesquisas mais frequentes no Google foram e pela ordem indicada, Coronavírus Portugal, Escola Virtual, Coronavírus, Eleições EUA, Pedro Lima, Segurança Social Directa, Classroom, DGS, Zoom, Liga NOS.
Em termos globais (world wide), foram e pela ordem indicada, Coronavirus, Election results, Kobe Bryant, Zoom, IPL, India vs New Zealand, Coronavirus update, Coronavirus symptoms, Joe Biden, Google Classroom.

Claro que se pesquisasse pelo título deste artigo surgiriam uma série de entradas, do tipo “As 5 mais…”, “As 7 que vai querer saber…” ou ainda aquela entrada “O que não pode perder em…”.
Já perceberam que receitas não faltam por aí.

A questão será colocada do ponto de vista das necessidades das organizações ou do ponto de vista das Pessoas? Sim, há diferenças. Claro que podemos juntar a este caldo a perspectiva dos experts em mudança, cultura organizacional, analistas comportamentais, recrutadores, gestores de Pessoas, etc., e sim, assentes na sua massa crítica, nas práticas das organizações que servem e/ou onde prestam serviços.

Depois disto o que fica é a opinião que cada um de nós tem sobre o que será necessário para vencer 2021. A pandemia e o confinamento vieram alterar as rotinas das Pessoas, das empresas, organizações, da sociedade em geral. A mais falada foi e é o trabalhar a partir de casa.

Se organizações havia que já há vários anos têm o teletrabalho como modus operandis e outras com sistemas híbridos que se consubstanciam em reuniões nas instalações e no ttrabalho feito em casa e/ou em casa de Clientes, a esmagadora maioria de todo o tinha como estratégia futura ou sequer cogitava tal opção. E note-se que o próprio Estado já o utilizava, por exemplo, a AT e o seu quadro de inspectores.
Aqui, claro que havia empresas que ofereciam as condições adequadas, os recursos, etc., ou seja tudo estava bem definido na óptica quer da gestão por processos, quer na óptica da gestão por objectivos, mas outra parte não, deixando aos colaboradores a tarefa de se desenrascarem, por exemplo, usarem meios informáticos próprios e todos os respectivos custos de manutenção/substituição por conta dos mesmos, não falando na necessidade de deslocações em viatura própria nem sempre pagas de acordo com a lei. Ou seja, até ao início do confinamento, no fim do 1º trimestre de 2020 em traços gerais, e não pretendendo nem ser exaustivo na abordagem nem demasiado ligeiro, isto passava-se assim.

Com a pandemia e o confinamento, no seu início, havia uma espécie de sensação “estamos de férias, mas não podemos sair de casa e afinal temos de trabalhar”.
As empresas que trabalham numa óptica de gestão de processos e usam o pensamento de risco, trabalham com parceiros em redes internacionais, com maior ou menor antecedência já tinham feito testes, sensibilizando as suas Pessoas; e algumas anteciparam mesmo a ida para casa das mesmas e muitas, quando mais não seja, porque são operadores globais e assim a sua percepção é seguramente antecipada face à maior parte do tecido empresarial independentemente da área de intervenção. No fim vêm os outros, os reactivos e claro os legisladores e o Estado.

O LAY-OFF.
O lay-off por si só exige das pessoas um conjunto de competências pessoais muito particulares.
O MEDO está presente e quase tolhe os movimentos da maior parte das Pessoas. Medo por si (o posto de trabalho), pelo seu agregado familiar, pelos seus compromissos pessoais e familiares, pelos Filhos (meu Deus, os meus Filhos), pelo futuro dos seus, pela manutenção do estilo de vida…
E a INCERTEZA instala-se, a racionalidade perde-se, os mapas mentais tornam-se bastante confusos e aleatórios e sensíveis a qualquer bater de asas de borboleta. A NEGAÇÃO vai durar bastante tempo até que a ACEITAÇÃO da já mudança acontecida e evidente para muitos, aconteça.

Aqui chegados, importa perceber o tempo que vamos ficar por ali, seja a lamber feridas, seja a termos diálogos internos do tipo “isto vai passar”, e a falácia das falácias, propalada, cantada, desenhada, afixada… “VAI FICAR TUDO BEM”!
Nesta mesma altura, Abril/Maio de 2020, frequentava eu um curso online “Coaching para a gestão de equipas virtuais”, onde a formadora, e senão todos os participantes, mais de uma dezena, acreditavam no slogan. Eu era a voz dissonante e alguns dirão: “só para contrariar”. Não, apenas porque “falar sobre” não é o mesmo que “passar por”, e pessoalmente, tal como muita gente haverá, já tinha vivido experiência similar e sei que numa 1ª, numa 2ª e por vezes mais fases, “NÃO VAI FICAR TUDO BEM!”. Claro que é importante criar um ambiente positivo, pensar positivo, etc., mas e a acção positiva?

A RESILIÊNCIA joga um papel fundamental, mas essa reserva energética que varia de pessoa para pessoa, tem de ser devidamente canalizada para o que importa, gerir a mudança para onde nalguns casos é possível, noutros é provavelmente a melhor saída, mas sobretudo para a SAÍDA que queremos seja a CERTA, a que nos colocará onde queremos e merecemos estar, porque acreditamos em nós. Para isto existe “tecnologia humana” que podemos usar, sim existem ferramentas, por exemplo o CPS©.
A capacidade de ACEITAR o que se não pode mudar, o passado, o RESSIGNIFICAR de algumas circunstâncias, CONFIAR e ACREDITAR que temos em nós o poder de além do ajustar, efectivamente temos a capacidade de MUDAR, são ferramentas disponíveis e que devidamente usadas levam à mudança de comportamentos e de atitudes e a COMPETÊNCIAS FORTES E FRESCAS; afinal estas Pessoas RENASCEM COM UMA NOVA VISÃO PARA A VIDA!

O TELETRABALHO ANTES V HOJE
Para as organizações que já usavam parcial ou totalmente o teletrabalho, há um cuidado acrescido que agora terão de ter. Como reter quem já tem as competências pessoais para este regime de trabalho? É que estas Pessoas são agora desejadas pelo mercado e ou já existia um código de conduta irrepreensível, além daquilo que a legislação preconiza, não as tratando apenas como números, ou então, se bons profissionais terão muito mercado.
– Serão Pessoas habituadas a serem esquecidas ou são geridas, lideradas e inspiradas remotamente.
– Serão Pessoas desorganizadas ou com hábitos de disciplina, de pontualidade, com elevado foco e que não aceitam menos que um relacionamento a todos os títulos ético entre liderança e liderados.
– Serão Pessoas que aguardam por ordens ou Pessoas que já estão num registo de auto-lideradas, são críticas, analíticas, e por isso adquiriram um bom senso notável, com um delivery irrepreensível e um reporting sem subserviência.
– Serão Pessoas esquecidas ou apesar de isoladas organizam-se em rotinas de equipa e de grupo que por exemplo, e é mais frequente do que se pensa, estão fisicamente juntas pelo menos uma ou duas vezes por ano.
– Serão Pessoas quase obsoletas em diversas ferramentas digitais ou com um elevado domínio das necessárias e ainda daquelas que podem surpreender e optam pelos desafios que trazem.
Note-se que teletrabalho não é o mesmo que trabalhar a partir de casa.

Afinal há muito por explorar em termos de employer branding; mas que valores, que cultura, dirão muitos se não há contacto social?
Vamos mexer no miolo (meio) da organização, ou vamos mexer com o miolo (o topo) da organização?

As relações directas perderam-se, o face to face real não existe, as fisionomias, o toque de um aperto de mão, o beijo na face, o abraço ligeiro ou vigoroso, as palmas, as saudações ao vivo e a cores, os cheiros e as fragâncias, os risos circunstanciais, os olhares, os piscares de olho, os sentidos onde estão? Será que temos de aceitar que a digitalização “roube” estes dados, esta forma de pertença que temos entre nós quando trabalhamos juntos numa organização?

E quem chega de novo à organização? Muitos e bons desafios nos aguardam no futuro.

Se há áreas que vão sair enriquecidas de todo este trabalho, são aquelas de que ainda não falei; os perfis operacionais, de chão de fábrica, de campos de lavoura, de infra-estruturas de uso social intensivo como os hospitais, os transportes públicos, das engenharias, etc, que têm de estar necessariamente junto das mesmas; tão só porque os cuidados que as organizações vão ter com os trabalhadores não obrigatoriamente presenciais, terão também de ter com eles, muitas das vezes esquecidos ou colocados no fim das prioridades.

A relevância do equilíbrio pessoal e profissional, entendo pessoalmente, será para todos, empresas, organizações e Pessoas, o maior dos Desafios. O resto, i.e., a polivalência, a adaptabilidade, a inteligência emocional, a flexibilidade, etc., passam a ser consequências porque se estabeleceu esse BOM EQUILÍBRIO que leva as Pessoas a ESTAREM BEM.
E A SOCIEDADE TEM DE CONSEGUIR ESTAR À ALTURA, a incerteza não pode pairar, pois as regras de transparência terão de estar efectivamente plasmadas, se queremos que a proposta de valor para as Pessoas tenham efectivamente VALOR. Há transformações que são exigidas agora, e não havendo tempo, tem de haver tempo para isto, com muita atenção para que as respostas e os realinhamentos sejam rápidos.

 

António Balau – Consultor  – Academia de Rh & Coaching

2 responses to “COMPETÊNCIAS PARA VENCER 2021”

  1. Álvaro Magalhães diz:

    Excelente artigo Balau! Abraço

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